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Medidas de isolamento podem ser necessárias até 2022, diz estudo

A pesquisa foi publicada na revista Science. Eis a íntegra (7 MB).

16/04/2020 07h21
Por: São Bento em Foco Fonte: Poder 360
Medidas de isolamento podem ser necessárias até 2022, diz estudo

Um estudo da Universidade Harvard mostra que as medidas de distanciamento social podem ser aplicadas até 2022. Essa extensão do isolamento seria necessária para evitar o risco de uma nova onda de casos do coronavírus.

A pesquisa foi publicada na revista Science. Eis a íntegra (7 MB).

Os pesquisadores comparam características do coronavírus causador da covid-19 com outros tipos do vírus, como o que transmitia a Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave), que ocasionou 1 surto na Ásia em 2003.

Com base nos dados de patógenos parentes do Sars-Cov-2, o levantamento estima que 1 paciente curado da doença pode voltar a ser infectado pelo mesmo coronavírus. Isso porque os anticorpos criados pelo organismo para combater a covid-19 durariam apenas 1 ou 2 anos.

Ou seja, nem mesmo a imunização natural da maioria da população seria capaz de conter a aparição de novos casos, criando uma 2ª onda de registros. Esse cenário é observado em tipos mais comuns de outros coronavírus, muitos deles causadores de simples resfriados.

Foto: Roberto Parizotti/FotosPublicas

Os pesquisadores utilizaram a taxa Ro para medir o impacto do distanciamento social na diminuição do grau de infecção do vírus. Essa variante calcula quantas pessoas podem ser infectadas por 1 portador do coronavírus. No caso da covid-19, a R0 é de 3 pessoas. Em coronavírus mais leves, a média é de 2 infectados por portador.

A partir desses dados, os pesquisadores simularam a extensão do isolamento em diferentes níveis de amplitude. Desde o fechamento total até pequenos setores de maior risco. Quando o distanciamento é mantido por pelo menos 20 semanas, há uma redução do R0 de 20% a 60%.

O problema, contudo, é o retorno das atividades depois do período de quarentena. Mesmo que o isolamento vertical tenha mais efeito sobre o Ro, ele pode ser reduzido e temporário.

Como os anticorpos tem uma espécie de “prazo de validade”, a quarentena total até livraria muitas pessoas da infecção, mas elas também não teriam anticorpos.

O resultado é que elas poderiam contrair o coronavírus e mantê-lo em circulação por até 1 ou 2 anos, colocando as pessoas que foram curadas na 1ª onda suscetíveis a uma nova infecção, quando seus anticorpos já não surtirão mais efeito.

Resumindo, a aplicação de uma medida de isolamento social rígida e vertical, por apenas uma vez, não erradicaria o vírus. Ele apenas reduziria momentaneamente o grau de infecções e manteria uma grande parte da população sem defesas.

Ao mesmo tempo, a abertura abrupta da quarentena causaria 1 caos ainda maior nos sistemas de saúde, o que poderia piorar o estrago causado pela pandemia. Uma das soluções seria a adoção de medidas pontuais e gradativas depois de 1 período de fechamento total.

Mesmo assim, o estudo não recomenda nenhuma medida com base na amostra. Os pesquisadores disseram que ainda são necessários diversos testes e mais tempo para entender melhor a atuação do vírus. Algumas variáveis como o nível de disseminação em diferentes temperaturas ainda são incertas.

Fora isso, o grupo de trabalho de Harvard não considerou o impacto por idade, sexo e classe social. Além de não pontuar o impacto econômico causado em países, principalmente os mais pobres.

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