O prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, que está no segundo mandato, voltou a admitir a possibilidade de deixar os quadros do PSDB e informou já ter conversado com o ex-senador Cássio Cunha Lima, principal liderança do partido, a esse respeito. No entanto, Romero descartou a hipótese de vir a ingressar no PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, com quem esteve em audiência recentemente. “Já tem cacique demais para pouco índio, no PSL. Eu sou um índio nessa história. Portanto, se tiver de deixar o PSDB, migrarei para outra sigla que ainda está sob avaliação”, explicou, negando problemas pessoais de convivência no ninho tucano e deixando claro que a relação amigável entre ele e o ex-senador Cássio independe de política.

Romero garantiu que no encontro com o presidente Jair Bolsonaro não tratou de filiação ao PSL e nem de ocupação de cargos no governo federal. A pauta, de acordo com ele, foi administrativa e incluiu convite para a inauguração do conjunto “Aluízio Campos”, em Campina Grande. O fato de seu irmão, deputado Moacir Rodrigues, ser filiado ao PSL, conforme Romero, não influencia na sua tomada de posição. O prefeito tem mantido canais de articulação com o Palácio do Planalto e na semana passada recepcionou em Campina a primeira-dama Michelle Bolsonaro, que acompanhou o ministro da Saúde e demonstrou interesse em conhecer projetos desenvolvidos com atenção a crianças carentes.

O prefeito de Campina está empenhado na consolidação da Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento Econômico (Ride), que terá como polos-líderes a cidade paraibana, junto com mais outras 19 de várias regiões, e Caruaru, liderando um conjunto de 25 cidades de Pernambuco. O projeto de lei dispondo sobre a Região Administrativa Integrada foi aprovado na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado e, agora, vai para votação em plenário. O projeto que tramita no Senado é de autoria do ex-senador Douglas Cintra e teve aprovação, igualmente, da Comissão de Assuntos Econômicos. Ao contrário das Regiões Metropolitanas, que são formadas por cidades do mesmo Estado, as Rides incorporam municípios de diferentes unidades da Federação.

Em declarações ao “Correio da Paraíba”, a cientista social Glenda Dantas, professora do Departamento de Gestão Pública da Universidade Federal da PB explicou que as Regiões Administrativas Integradas buscam, por meio de uma base cooperativa, fortalecer socioeconomicamente os municípios que as integram. Segundo a especialista, com a Ride, os governos estaduais e municipais ganham uma maior autonomia para elaborar e conduzir estratégias que visam o desenvolvimento local e a superação de desigualdades, “já que esses agentes estão mais próximos da sociedade e dos segmentos produtivos”. Conforme a proposta, os programas e projetos darão ênfase especial aos setores de confecção, turismo, indústria moveleira, sistema de transporte e escoamento, recursos hídricos, capacitação profissional e outros relativos à infraestrutura básica e à geração de empregos. Glenda Dantas arremata: “Em um país de dimensões continentais como o Brasil, é fundamental que as estratégias direcionadas ao enfrentamento de questões ligadas ao desenvolvimento, sobretudo regional, se estruturem em torno de ações multiescalares e de arranjos cooperativos horizontais, entre prefeituras ou governos estaduais, e/ou verticais, entre a União e Estados”.

Fonte: OS Guedes

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